Dia 22 de 30
A Cruz Fora dos Portões
Leituras das Escrituras · ARA
“Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus”
A vergonha nos faz buscar um lugar onde ninguém conheça a nossa história. Editamos o passado, contamos só a parte apresentável e construímos uma versão respeitável de nós mesmos. Ela protege a imagem, mas não remove a culpa.
Jesus é levado para fora da cidade, vestido de escárnio e pregado entre criminosos. O cenário é público, humilhante e aparentemente derrotado. Ainda assim, o centurião reconhece o que a multidão não vê: "Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus". O véu rasgado anuncia que a barreira entre Deus e o ser humano não será vencida por uma subida humana.
A nossa versão editada é uma forma de justiça própria. Imaginamos que, se controlarmos a narrativa, Deus também terá de aceitar a nossa edição. Na cruz, Cristo entra na narrativa verdadeira do pecado e a carrega até o fim.
Paulo diz que está crucificado com Cristo e que agora Cristo vive nele. Não somos justificados por manter distância da cruz, mas por confiar naquele que morreu e ressuscitou. A obediência dele é a nossa única base; as nossas obras brotam de uma vida recebida. A cruz não é convite à autopunição, e sim ao abandono da falsa justiça própria. Hebreus chama a sair ao encontro de Jesus fora do arraial, levando a vergonha que ele carregou, porque ali está o caminho de volta ao Pai.